quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A cada estalo, um novo susto

O triste histórico de 12 desabamentos de prédios-caixão e 12 mortes na Região Metropolitana do Recife, em quase duas décadas é suficiente para deixar em pânico os moradores a qualquer sinal de rachadura ou estalo nas edificações. Foi o que aconteceu ontem com o Edifício Laura Amélia, no Cordeiro, que foi parcialmente interditado pela Defesa Civil, depois de um alerta dos moradores. Um dia antes, outro prédio, que não é do tipo caixão, no bairro de Boa Viagem, chegou a ser esvaziado com o mesmo temor, mas foi alarme falso. A preocupação com os desabamentos, além das estatísticas, se justifica pela ausência de providências. O levantamento do Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP), feito em 2007, ainda não resultou em ações efetivas para combater o problema.



Moradores do Edifício Laura Amélia, no Cordeiro, acordaram ontem pela manhã com rachaduras nos imóveis. Foto: Arte Pedrom sobre foto de Lais Telles/Esp DP/D.A Press
O diagnóstico do ITEP aponta que somente no Recife existem 133 prédios-caixão com risco muito alto de desabamento. Em Olinda são 52, outros 22 em Jaboatão dos Guararapes e, 19, em Paulista. No ano passado, o governo do estado liberou uma verba de R$ 32,5 mil por município para elaboração do projeto de recuperação de um prédio-piloto em cada um desses municípíos. No Recife, o prédio escolhido foi o bloco A do Morada Atobá, no Arruda. Em Olinda, o Hermínia Dias, em Jardim Atlântico, em Jaboatão dos Guararapes, o bloco 99 do conjunto Muribeca, em Paulista, o bloco D-14, do conjunto Beira Mar, no Janga e, em Camaragibe, o edifício Sol Nascente, no bairro de Jardim Primavera.

Segundo o engenheiro do ITEP Carlos Wellington Pires, que participou da elaboração do diagnóstico, ainda não teve início a recuperação de nenhuma dessas edificações. ´Dos municípios, apenas Jaboatão e Paulista não concluíram o diagnóstico dos prédios que foram escolhidos para o projeto piloto de recuperação, mas, mesmo nos que já estão com os projetos prontos, a recuperação não foi iniciada`, revelou. 

A escolha de um prédio-piloto é para se ter um parâmetro do valor necessário para recuperar os prédios com risco de desabar. Além dos que estão em risco muito alto, a Secretaria das Cidades acrescentou os que estão interditados, aumentando para 340 o número de prédios que precisam ser recuperados. ´Esperamos que em 20 dias seja lançado o edital para os laudos e projetos de recuperação dessas edificações`, explicou a secretária executiva da Secretaria das Cidades, Ana Suassuna. Os laudos em cada uma das 340 unidades serão custeados pelo estado. ´São cerca de R$ 7 milhões que vão ser aplicados para os laudos e projetos de recuperação`, explicou Suassuna. Em março do ano passado foi firmado um acordo de cooperação entre o estado e o Fundo de Desenvolvimento Social (FDS) destinado para as habitações em todo o país. Pelo fundo, o orçamento previsto para recuperar as edificações com risco muito alto está estimado em R$ 172 milhões. ´Demorou muito para o projeto do prédio-piloto ser concluído pelos municípios. Nós estamos iniciando uma outra etapa com os projetos de recuperação das 340 unidades`, afirmou Suassuna. 

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